Ensurdecedor. Irritante. Mesquinho. Real. O som das nossas vidas é tudo isto e muito mais.
Já convivíamos há algum tempo com o som permanente das “bombas relógio”, tradicionalmente apelidadas de “buracos nas finanças públicas”. Já estaríamos habituados? Talvez, mas desde a eleição do último governo, o rigor do mesmo faz ressuscitar antigos cadáveres que, julgávamos nós, estarem enterrados. Engano.
Durante mais de 15 anos, incluindo o final de 2008 onde sucedeu o cataclismo quase mundial do sistema financeiro, Portugal continuou a gozar em pleno os seus mais de 700km de costa.
Durante mais de 15 anos o rigor das finanças públicas foi sendo camuflado através de processos, mais ou menos complexos, de engenharia financeira, ocultando do prisma financeiro europeu, e consequentemente português, a proporção das dívidas do Estado e das empresas do mesmo.
Durante mais de 15 anos os preparativos para o festival pirotécnico que seria o ano 2011/2012 foram sendo alinhavados multiplicando-se os casos de sobreendividamento, e pior, criando a expectativa em todos, ou pelo menos alguns, que podíamos sustentar todo este grau massivo de endividamento.
A transversalidade da dívida a todos diz respeito, o próprio sistema económico e financeiro eclode sobre o nosso sistema cultural, não restam dúvidas. Medina Carreira diz que “Portugal é inviável desde a conquista de Ceuta.”. Esta é uma das vezes em que tenho de discordar. Se temos um fundador de um país que começa por levantar a mão à sua própria mãe pouco poderemos fazer.
Então, qual a “bomba-relógio” que se segue após a detonação da Madeira? Estradas de Portugal, TAP, RTP, Região Autónoma dos Açores, REN, Águas de Portugal, REFER? São tantas e tão poucas onde não possamos descartar as nossas preocupações.
O Governo, apesar de alarmado, tem promovido um esforço herculeano no sentido de apurar todos os “buracos” existentes, torná-los públicos e a curto-prazo promover uma solução que seja equilibrada ao momento actual que atravessámos. Restam poucas dúvidas do rigor e sentido de estado com que permanentemente calculam as possíveis soluções.
A lealdade com os princípios nacionais e a forma como tem sido coerente em todo este processo demonstra um único objectivo, permitir aos portugueses verem reconhecido todos os esforços dos quais são alvo e não apenas cumprindo metas orçamentais manipuladas e sem a mínima objectividade.
Pedro Passos Coelho tem sido um factor de coesão e união dos portugueses nos dias de hoje. A necessidade de vermos reconhecidos os nossos esforços e sentirmos o esforço do próprio Governo é um direito que há muito nos assiste.
Num tempo em que o excesso de aceleração é evidente, devemos abrandar e ouvir, não um Tic-Tac, Tic-Tac, mas a única coisa que poderá ser determinante para a nossa sobrevivência, nós.
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